Da mesma forma que continuará a ler este artigo se estas duas primeiras linhas lhe despertarem interesse.
O mesmo acontece com os investidores quando recebem o seu pitch deck, independentemente da forma como chegaram até ele.
Tem um produto ou uma ideia de produto. Precisa de investimento. O ecossistema é competitivo e pode hesitar em contactar investidores diretamente, acreditando que é mais eficiente — ou simplesmente melhor — chegar até eles através de uma recomendação.
Esta é uma perspetiva limitadora.
Os investidores são alocadores de capital. Procuram retorno. Se conseguir demonstrar esse potencial, irão interessar-se pelo seu projeto, independentemente da forma como o conheceram.
Por isso, o conselho que damos aos fundadores que procuram a sua primeira ronda de investimento é simples: não seja tímido, mas também não vá despreparado.
Não Seja Tímido
Não tenha receio de contactar investidores diretamente.
Os investidores procuram ativamente oportunidades onde possam investir o seu capital. Embora as recomendações possam ser úteis, é perfeitamente possível obter excelentes resultados sem elas. Se o seu produto e o seu pitch forem sólidos, pouco importa se a informação chega ao investidor através de um conhecido ou diretamente por si.
O importante é colocar a informação à frente deles.
O que recomendamos:
1. Identifique os investidores certos
Pesquise fundos e investidores cujas prioridades estejam alinhadas com o seu setor, estágio de desenvolvimento e necessidades de capital. Isto inclui business angels, fundos de venture capital, family offices e indivíduos de elevado património. Em Portugal, por exemplo, a CMVM disponibiliza listas de intermediários financeiros autorizados.
2. Marque presença em eventos do setor
Participe — e, idealmente, intervenha — em competições de pitch, eventos de networking, workshops e outras iniciativas que lhe permitam aceder diretamente às pessoas que procura. Tenha um elevator pitch preparado e garanta que os seus materiais (por exemplo, o link para o pitch deck) estão prontos para ser enviados.
3. Aumente a sua visibilidade
Contribua para discussões relevantes no setor. Partilhe insights sobre o seu mercado ou tecnologia através do LinkedIn, publicações especializadas e outros canais. Tal como acontece nos eventos, uma presença pública forte demonstra conhecimento e pode gerar interesse espontâneo por parte de investidores.
Os investidores gerem capital. Mostre porque é que a sua startup representa uma oportunidade de retorno superior. Seja visível, persistente e claro na sua proposta de valor.
Mas não vá sem preparação
Fazer outreach sem preparação é perder tempo.
Os investidores não avaliam apenas a ideia. Avaliam também a capacidade da equipa para executar, o conhecimento do mercado e a possibilidade de escalar o projeto a médio e longo prazo. Isto significa que querem ter a certeza de que fez o trabalho de casa e que possui um plano realista.
Por isso, antes do primeiro pitch, certifique-se de que domina os seguintes temas:
1. Validação do market fit
Defina claramente o seu cliente-alvo, o problema que resolve e a sua proposta de valor. Sustente tudo isto com dados: feedback de utilizadores, métricas iniciais de tração e estudos de mercado.
2. Pitch deck e plano de negócios
O pitch deck deve ser conciso, visualmente claro e contar uma história convincente. O plano de negócios deve complementar essa narrativa com uma análise mais detalhada do mercado, projeções financeiras, composição da equipa e estratégias operacionais.
3. Roadmap do produto
Se estiver numa fase pre-seed, apresente um plano claro de desenvolvimento do produto. Explique quando o MVP estará pronto, o que é necessário para o desenvolver e quando chegará ao mercado. Em setores regulados — como Fintech, Medtech ou IA — demonstre também como está a considerar os requisitos regulatórios.
4. Objetivos do investimento
Evite argumentos como “precisamos de dinheiro para construir o produto” ou “precisamos de pagar à equipa”. Explique porque precisa do capital, como será utilizado e quais os objetivos concretos e mensuráveis que permitirá atingir.
Os investidores procuram multiplicar o seu capital. Por isso, evite também limitar-se a dizer que a empresa atingirá o break-even em determinado período. Mostre-lhes:
• Plano Go-to-Market (GTM): Se ainda não lançou o produto, detalhe a estratégia de entrada no mercado e o respetivo calendário. Com que rapidez o investimento permitirá chegar ao mercado?
• Potencial de retorno: Explique como o investimento irá gerar retorno. Aborde o desenvolvimento tecnológico, a escala de marketing, a penetração de mercado, os preços praticados, o número de clientes necessários para atingir as projeções, entre outros aspetos.
• Alocação de recursos: Detalhe como os fundos serão distribuídos entre tecnologia, desenvolvimento de produto, marketing, operações e crescimento da equipa.
• Estratégia para rondas futuras: Os investidores querem perceber qual é o caminho para futuras rondas de financiamento. Apresente os prazos previstos, os marcos a atingir e as necessidades de capital de cada fase.
5. Antecipe as perguntas dos investidores
Haverá perguntas. Esteja preparado para responder a temas como:
• Equity em troca de capital: Justifique a valorização da empresa e a percentagem de participação proposta. Porque é que a empresa vale aquilo que afirma valer?
• Retorno do investimento: Discuta possíveis cenários de saída (aquisição, IPO, entre outros) e um prazo realista para os concretizar.
• Equipa e experiência: Demonstre as qualificações da equipa e porque está na melhor posição para executar o projeto. Inclua conhecimento do setor, experiência de gestão, marketing e outras competências relevantes.
Garantir a primeira ronda de investimento é um desafio exigente. No entanto, com uma abordagem proativa, direcionada e bem preparada, aumenta significativamente as suas probabilidades de sucesso e constrói uma empresa mais resiliente.
No final, o objetivo não deve ser apenas captar capital, mas construir uma parceria sólida com os seus investidores. Mostre-lhes que consegue executar o plano e criar valor para todas as partes envolvidas.
Perguntas Frequentes
Q1: Qual é o elemento mais importante que os investidores procuram numa startup em fase pre-seed ou seed?
A equipa e a oportunidade de mercado são fatores fundamentais, assim como a existência de um claro problema e de uma solução adequada. A validação inicial, mesmo que limitada, também ajuda. Certifique-se de que possui um roadmap de produto bem definido e uma compreensão clara dos tempos, riscos e custos envolvidos no desenvolvimento.
Q2: Quão detalhadas devem ser as projeções financeiras para uma primeira ronda de investimento?
Tão detalhadas quanto possível. Em fases pre-seed e seed, foque-se numa projeção de 18 a 24 meses. Destaque os principais motores de receita, categorias de despesa e o impacto que o investimento terá nos marcos definidos. Evite, contudo, modelos excessivamente complexos. Guarde-os para a data room, não para o pitch deck inicial.
Q3: É aceitável contactar investidores através de cold email?
Sim, desde que seja feito de forma estratégica. Um email personalizado, conciso e que demonstre claramente a sua proposta de valor e o conhecimento das prioridades de investimento do destinatário pode ser muito eficaz. Uma introdução por terceiros ou um contacto presencial podem ajudar, mas um bom cold email será sempre melhor do que mensagens genéricas enviadas em massa.
Q4: E se precisar de ajuda para preparar estes documentos?
Podemos ajudá-lo a aperfeiçoar o seu pitch, o plano de negócios e a garantir que a estrutura legal da empresa está alinhada com os seus objetivos de captação de investimento. O nosso objetivo é assegurar que está preparado para abordar investidores e obter capital nas melhores condições possíveis.
Por isso, se este tema lhe interessa, pode começar por testar connosco as suas competências de cold emailing antes de contactar investidores.